A CADEIRA COMO INSTRUMENTO DE DEBATE  
 
    As eleições para a prefeitura da cidade de São Paulo, pleito 2024, trouxeram como novidade para os pretensos alcaides da maior cidade da América Latina mais um ingrediente: candidatos de direita à extrema direita. Pablo Marçal tem se apresentado como um outsider da extrema direita, fruto da herança maldita deixada pelo Bolsonarismo. O candidato ultrapassa todos os limites imagináveis da incivilidade e da ausência de urbanidade. Urbanidade tem sua origem no latim "urbanitas, -atis", que se refere à qualidade de ser urbano, civilizado e cortês.      
No contexto contemporâneo, urbanidade é entendida como a reunião de costumes, formalidades e comportamentos que expressam respeito entre as pessoas, além de denotar uma característica do que é civilizado e afável. Evidentemente, o Bolsonarismo e o pretenso sucessor Marçalismo não pertencem ao espectro civilizatório, muito menos aos padrões de urbanidade.  
    Nesses últimos dias, o candidato Marçal, dando sequência às suas agressões verbais que tangenciam o pior dos frequentadores de bordéis de última classe, dos quais seria expulso pelos seguranças por falta de decoro, insistiu em agredir e assacar acusações das quais o candidato Datena não suportou e resolveu dar-lhe uma cadeirada. Vejamos a história desse item do mobiliário.  
    A data de criação da cadeira pode datar de tempos primordiais, quando o ser humano utilizava-se de cadeiras simples feitas em pedra. Durante o período da Idade Média, as cadeiras passaram a ser artigos de luxo da nobreza e possuíam armações e construções diversas. 
    A cadeira chegou ao Brasil no século XVI com a vinda dos portugueses. Até então, o mobiliário indispensável no país era a rede de descanso e a esteira indígena, ambas feitas de fibras vegetais. A cadeira elétrica mata por meio da eletrocussão. O condenado é imobilizado nela e sofre uma série de tensões elétricas. Sua estrutura é feita de madeira. O chão em torno do assento é revestido de borracha para que as cargas não se espalhem de forma difusa. 
    O equipamento foi criado por uma comissão estadual de Nova York encarregada de encontrar um método mais humano de execução do que o enforcamento. Cadeiras de rodas: equipamentos projetados para ajudar pessoas com mobilidade reduzida. Cadeiras gamer: desenvolvidas para oferecer conforto durante longos períodos de uso em jogos eletrônicos. Além disso, o termo "cadeira" também pode se referir a assentos em locais públicos, como cinemas e estádios.  
    No contexto acadêmico e político, "cadeira" pode se referir a uma posição de honra ou disciplina que um professor rege em uma instituição de ensino. Por exemplo, a "cadeira de Português" refere-se ao ensino dessa disciplina em uma escola ou universidade. Em resumo, a cadeira é um elemento fundamental do mobiliário humano, servindo tanto propósitos práticos quanto simbólicos ao longo da história. A cadeira nem sempre serve como item de mobiliário; em brigas de bar, pode ser utilizada como arma. Com certeza, nesses casos, os ânimos exaltados e a perda total da racionalidade são diagnósticos que se pode extrair desses momentos. 
    Datena passou sua vida profissional dedicada ao noticiário policial, estimulando estereótipos raciais e classistas e promovendo a violência policial como justificativa para uma política de segurança pública à la república das bananas. Resultado: quando decidiu se candidatar à prefeitura de Sampa, encontrou o efeito colateral de sua mensagem diária. Candidato pelo falecido PSDB, partido nascido do ventre da política paulista neoliberal, teve que enfrentar Marçal, o antipolítico, o antidemocrático, o fronteiriço com passado criminoso.  
   
Veio a cadeirada que tomou conta do noticiário, disputando espaço com as queimadas criminosas e o caso rumoroso do ex-ministro dos Direitos Humanos.

A cadeirada ganhou mundo; Datena marcou sua “masculinidade”, que está em disputa com Bolsonaro pelo perfil de extrema direita imbrochável e inelegível. É muito machismo em jogo; a disputa não é pelos melhores projetos, mas por quem é mais homem na Paulicéia Desvairada — longe de ser a de Mário de Andrade — mas sim pelo desvairio antidemocrático da extrema direita.

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